A Secretaria Municipal de Saúde de Floriano, por meio da Coordenação de Saúde Mental, promoveu nesta quinta-feira, dia 17 de setembro, uma roda de conversa voltada aos profissionais de imprensa sobre o Setembro Amarelo, saúde mental e prevenção do suicídio. O encontro foi realizado no auditório da Secretaria Municipal de Saúde e reuniu profissionais da comunicação para discutir formas éticas, responsáveis e humanizadas de abordar o tema.
A atividade foi conduzida pelas psicólogas Flávia Regina e Maria da Anunciação, com participação da coordenadora de Saúde Mental de Floriano, Adriana Bezerra. Entre os assuntos discutidos estiveram as recomendações para a veiculação de informações relacionadas ao suicídio, os cuidados necessários na produção de notícias e a importância de divulgar também os serviços disponíveis para pessoas que estejam passando por situações de sofrimento psíquico.
Adriana Bezerra destacou que falar sobre suicídio é necessário para ampliar a conscientização e ajudar a reduzir o estigma relacionado à saúde mental. Segundo ela, a abordagem deve ser feita de maneira cuidadosa, evitando transformar o assunto em tabu e, ao mesmo tempo, apresentando caminhos para que pessoas em sofrimento possam buscar ajuda.

A coordenadora ressaltou ainda que existem serviços preparados para realizar escuta e acolhimento sem julgamento, reforçando que pessoas que estejam vivenciando momentos de desesperança devem ser orientadas a procurar atendimento especializado.
Durante a roda de conversa, também foi abordada a importância de a imprensa não se limitar à divulgação de informações sobre casos de suicídio, mas contribuir para a prevenção ao apresentar os serviços de apoio existentes e estimular a busca por atendimento profissional.
A equipe de Saúde Mental explicou que o atendimento funciona de forma integrada por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A Atenção Primária, por meio das Unidades Básicas de Saúde, é apontada como uma das principais portas de entrada para quem necessita de acompanhamento. A partir da avaliação realizada pela equipe, o paciente pode ser encaminhado para outros serviços da rede, de acordo com a necessidade identificada.
Entre os dispositivos citados estão os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), o CAPS AD, voltado ao atendimento relacionado ao uso de álcool e outras drogas, além dos serviços de urgência e emergência e da assistência hospitalar nos casos que necessitam de cuidados específicos.
A psicóloga Flávia Regina também destacou que situações relacionadas ao comportamento suicida não devem ser atribuídas a uma única causa. Segundo ela, diferentes fatores podem estar associados ao sofrimento de uma pessoa, sendo necessário compreender cada situação de maneira individualizada.
A profissional ressaltou ainda a importância da atenção de familiares, amigos, colegas de trabalho e pessoas próximas diante de mudanças de comportamento ou sinais de sofrimento. Nesses casos, uma das formas de apoio é oferecer escuta, acolhimento e disponibilidade para acompanhar a pessoa na busca por ajuda profissional.

Flávia explicou que amigos e familiares não precisam ter respostas para todas as situações, mas podem contribuir ao ouvir sem julgamento e ajudar a aproximar a pessoa dos serviços especializados. A avaliação e o acompanhamento das situações mais delicadas devem ser realizados por profissionais capacitados.
Outro ponto destacado durante o encontro foi a necessidade de ampliar a compreensão sobre o cuidado com a saúde mental. A orientação é que a população procure inicialmente uma Unidade Básica de Saúde, onde poderá receber avaliação e, quando necessário, ser direcionada para outros pontos da rede de atendimento.
A roda de conversa também chamou atenção para o papel das redes sociais e dos meios de comunicação na disseminação de informações sobre saúde mental. A proposta da Secretaria Municipal de Saúde é fortalecer uma comunicação que contribua para a conscientização, reduza o estigma e facilite o acesso da população aos serviços de cuidado.
A iniciativa integra as ações do Setembro Amarelo em Floriano e busca aproximar os profissionais de comunicação da rede de Saúde Mental, oferecendo informações para que a cobertura jornalística sobre suicídio e sofrimento psíquico seja realizada com responsabilidade, respeito e compromisso com a prevenção.
Confira as entrevistas gravadas durante a Roda de Conversa: