Nos bastidores petistas, os chamados “Rafa Boys” apostam que o ministro Wellington Dias sairia em defesa do nome de Chico Lucas para o Ministério da Justiça. A tese, no entanto, soa ingênua para quem conhece o estilo de Wellington político experiente, que prefere comer frio e jamais se antecipa em movimentos que possam fortalecer adversários, ainda que internos. Transformar Chico Lucas em ministro seria, na prática, colocar um “Rafa Boys” em Brasília e reconhecer, sem rodeios, a liderança absoluta de Rafael Fonteles no PT piauiense. Justamente no momento em que o governador sufoca o espaço político de Wellington no Estado e não abre margem para sua participação efetiva na montagem da chapa majoritária de 2026. Para os mais calejados da política, não faz sentido imaginar que Wellington Dias vá trabalhar para reforçar o time de quem hoje é, claramente, seu concorrente interno. Pode até haver gesto público, discurso calculado ou vídeo protocolar. Mas, nos bastidores onde o jogo realmente acontece Wellington não costuma entregar munição ao inimigo. Acreditar que ele fará de Chico Lucas ministro é desconhecer a lógica do poder… e o próprio Wellington Dias.
Joel Rodrigues ensaia postura de candidato ao governo.
O presidente estadual do Progressistas, Joel Rodrigues, começa a dar sinais claros de que pretende ocupar um espaço maior no cenário político estadual com ares de pré-candidato ao Governo do Estado. Em vídeo gravado ontem, segunda-feira, Joel abriu a “caixa de ferramentas” e adotou um tom mais duro ao denunciar o descaso no atendimento e o caos que se instalou no Hospital EDA, o Hospital Regional Estadual de Parnaíba, segunda maior cidade do Piauí. A crítica pública marca uma mudança de postura. Até aqui, Joel vinha flutuando nas cobranças ao governo, evitando embates diretos e mantendo certa cautela. Agora, inaugura um novo posicionamento: mais crítico, mais presente e com discurso afinado ao sentimento popular. O dirigente progressista sinaliza que passará a receber denúncias, ouvir a população e dar visibilidade aos problemas, principalmente por meio de suas redes sociais. O movimento indica que Joel deixa a zona de conforto e começa a se posicionar como alternativa política, assumindo o papel de voz da oposição em temas sensíveis da gestão estadual. O recado foi dado e não parece isolado.
Azedou para Warton Lacerda.
Não anda nada fácil a vida política do deputado Warton Lacerda. Suplente em exercício na Alepi, o petista agora se vê acuado justamente em Altos, sua principal base eleitoral. O prefeito do município, Maxuel da Mariinha, adversário de Lacerda, resolveu lançar o próprio irmão como candidato a deputado estadual, movimento que ameaça diretamente o espaço do parlamentar na região. Como se não bastasse, Warton ainda ensaiou uma candidatura à presidência da Federação de Futebol do Piauí, mas a tentativa fracassou por falta de apoio dos clubes. O projeto morreu antes de sair do vestiário. Com base eleitoral ameaçada, isolamento no meio esportivo e poucas perspectivas políticas, 2026 começa nada bem para o deputado desportista.
A assessoria especial que virou comitê político.
A nomeação de Washington Bandeira para o cargo de assessor especial do governador é, formalmente, legal. O cargo existe, é comissionado e segue a liturgia administrativa. Mas a política e a moral pública não se resolvem apenas no papel. Na prática, Bandeira atua muito menos como assessor de governo e muito mais como operador político. O que se vê é articulação, circulação de bastidores e movimentação típica de pré-campanha, tudo sob o guarda-chuva de um cargo pago pelo contribuinte. O discurso oficial fala em planejamento e estratégia administrativa. A realidade aponta para politicagem antecipada, com foco claro no tabuleiro de 2026. Bandeira parece mais preocupado em marcar posição e fortalecer projetos políticos do que em entregar resultados concretos de gestão. Não há, até aqui, ilegalidade comprovada. Mas a moralidade administrativa, princípio constitucional, fica seriamente arranhada quando um assessor especial transforma função pública em plataforma política permanente. Legal no Diário Oficial. Imoral no exercício.
Washington Bandeira já é o nome do governador, o PT que se entenda.
Não se trata mais de especulação. Washington Bandeira já foi indicado pelo governador Rafael Fonteles como seu nome para a vaga de vice-governador na chapa da reeleição. O que está em curso agora não é escolha, é homologação partidária. A visita de Bandeira à Executiva Estadual do PT do Piauí, nesta segunda-feira, teve objetivo claro: cumprir o rito político e tentar reduzir resistências internas. Ex-secretário de Educação e hoje assessor especial do governador, ele foi apresentado ou reapresentado à direção petista como fato consumado Cristão novo no PT, Bandeira buscou demonstrar entrosamento partidário e compromisso com a legenda. O esforço parece surtir efeito entre boa parte da Executiva, especialmente entre os que dependem diretamente de cargos e espaços no governo Rafael Fonteles. Nesse grupo, a aceitação já é quase automática. Mas A resistência vem da velha guarda. Nos bastidores, o incômodo é visível. Olhares atravessados, discursos cautelosos e a sensação de que um “intruso na nave” foi imposto de cima para baixo, sem trajetória orgânica no partido. O governador já decidiu. Agora, cabe ao PT fazer o que sempre faz nessas horas: engolir seco, ajustar o discurso e bater palmas depois.
Lula observa a oposição e faz torcida silenciosa.
O presidente Lula acompanha com expectativa a definição do candidato — ou dos candidatos — da oposição à disputa pela reeleição. Nos bastidores de Brasília, a avaliação é direta: o nome escolhido muda completamente o tabuleiro eleitoral, sobretudo no Estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Lula torce veementemente para que o adversário seja Flávio Bolsonaro. A leitura no Planalto é que, com ele na disputa, o centro-direita não caminharia unido em um eventual segundo turno, fragmentando o campo conservador e reduzindo riscos para o petista. O cenário que realmente preocupa atende por Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Tarcísio é visto como um candidato de envergadura nacional, com capacidade de dialogar com o centro político, o empresariado e ampliar sua base além do bolsonarismo. É justamente por isso que seu nome acende o sinal de alerta no entorno de Lula. Caso Tarcísio seja o escolhido, a estratégia do presidente seria endurecida, especialmente em São Paulo. Circula nos bastidores que Lula trabalharia para uma chapa de peso no estado, com Geraldo Alckmin como candidato ao governo paulista e Fernando Haddad na vice, numa tentativa de assegurar o controle político do maior estado do país durante o processo eleitoral. Se, por outro lado, o nome da oposição for Flávio Bolsonaro ou outro candidato de menor densidade eleitoral, Lula não ergueria essa engrenagem pesada. O PT e a aliança governamental adotariam uma estratégia mais leve, evitando desgastes internos e movimentos de alto risco. Enquanto a oposição hesita, Lula observa e calcula.
Operação Mãos Limpas avança e mira novos alvos em Teresina.
A Operação Mãos Limpas, deflagrada pela Polícia Federal para apurar irregularidades na Secretaria Municipal de Educação de Teresina (SEMEC), segue avançando de forma silenciosa, porém consistente. Segundo informações colhidas pela coluna nos bastidores, os investigadores mantêm o caso sob lupa e não descartam novos desdobramentos nos próximos meses. O que se comenta nos corredores é que a PF ampliou o raio de alcance das apurações e já observa movimentos que podem levar a figuras fora do núcleo estritamente administrativo da SEMEC. Entre os nomes que surgem nas conversas reservadas estão um empresário da área de comunicação, uma empresária do ramo de terceirização de serviços e um figurão da Prefeitura Municipal de Teresina. Ainda não há medidas ostensivas anunciadas contra esses possíveis alvos, mas a leitura interna é de que o inquérito caminha para além da superfície inicial, cruzando contratos, relações empresariais e fluxos financeiros. A estratégia da Polícia Federal tem sido avançar com discrição, reunindo provas antes de qualquer passo público. Nos bastidores, o clima é de apreensão. A avaliação é que a Operação Mãos Limpas está longe do fim e pode surpreender.
PM mal paga, propaganda bem paga.
A comparação entre a remuneração da Polícia Militar do Maranhão e a do Piauí escancara uma distorção difícil de explicar e impossível de ignorar. Enquanto um PM maranhense recebe, em média, cerca de R$ 7.641, o policial militar piauiense inicia a carreira ganhando aproximadamente R$ 3.470. É praticamente a metade do salário, para uma função que exige o mesmo risco, a mesma dedicação e, muitas vezes, enfrenta realidades igualmente duras. Mesmo assim, o Piauí segue ampliando seu efetivo policial pagando um dos piores salários do Nordeste, senão o pior, entre as polícias militares da região. O resultado é previsível: desmotivação crescente dentro da tropa, que convive com a cobrança por resultados sem o reconhecimento financeiro mínimo. O contraste chama ainda mais atenção quando se observa para onde vão alguns recursos do Estado. Em 2025, por exemplo, apenas uma emissora de televisão a Meio Norte teria recebido quase R$ 11 milhões em verbas públicas. Um valor que, se priorizado de outra forma, poderia impactar diretamente a valorização salarial dos militares que estão nas ruas garantindo a segurança da população. Ironia ou não, são justamente esses policiais que têm contribuído para a melhora dos indicadores da segurança pública no Piauí. Mas ninguém sabe até quando esse esforço resistirá ao peso da desvalorização. Nos quartéis, o sentimento é claro: a conta já chegou e a paciência está no limite.
Fonte: Portal Encarando












